Diego Bevilaqua, presidente do ICOM Brasil, na 1ª Reunião de Especialistas do Observatório, realizada na sede do ICOM, em Paris.

Nos dias 11 e 12 de dezembro, ocorreu na sede do ICOM, em Paris, a 1ª Reunião de Especialistas do Observatório Internacional sobre Tráfico Ilícito de Bens Culturais (Observatory on Illicit Traffic in Cultural Goods), voltada à discussão de ações para o aprimoramento da plataforma global. O encontro reuniu diversos profissionais da área, incluindo o presidente do ICOM Brasil, Diego Bevilaqua.

Passados dez anos desde a criação do Observatório, em 2015, especialistas se reuniram para avaliar e propor atualizações à plataforma de cooperação mundial dedicada ao compartilhamento de informações para o combate ao tráfico ilícito de bens culturais.

Segundo o presidente do ICOM Brasil, o principal objetivo do encontro foi avaliar o site para o relançamento do Observatório. “Uma das etapas desse processo é a reformulação do site, com a inclusão de novas ferramentas e a atualização de seu conteúdo”, disse Diego.

Pesquisadores e diversas organizações, incluindo a Interpol, participaram do encontro. A maioria dos representantes do ICOM era formada por europeus, seguida por participantes da Ásia, da África e de outras regiões.

Como único representante da América Latina, Diego Bevilaqua chama atenção para os altos índices de roubos de bens culturais na região e os desafios enfrentados:

“A América Latina figura entre as principais regiões afetadas por roubos de bens culturais, com índices muito baixos de recuperação. Suas fronteiras são especialmente vulneráveis devido às fragilidades dos sistemas policial e penal, comuns à região como um todo e, em particular, ao Brasil. Essa perspectiva é fundamental para compreender que mesmo países que não estão em situação de guerra podem enfrentar o tráfico ilícito de bens culturais de forma intensa.”

Com o relançamento do Observatório, o ICOM pretende ampliar o acesso do público, de gestores culturais e de agentes de segurança de todo o mundo a ferramentas e informações que orientem como agir, onde buscar apoio e de que forma fortalecer o combate ao tráfico ilícito de bens culturais.

A programação teve início com Medea Ekner, diretora-geral do ICOM, e Sophie Delepierre, chefe do Departamento de Proteção do Patrimônio do ICOM. Em seguida, Sophie Delepierre e Melina Mac Donald, também do Departamento, conduziram apresentações detalhando as ações de aperfeiçoamento do Observatório e as iniciativas do Projeto PRISM.

Vale ressaltar que a modernização da plataforma será realizada no âmbito do Projeto PRISM – Prevention, Research, Investigation and Security in Museums (Prevenção, Pesquisa, Investigação e Segurança em Museus), financiado pela União Europeia. Conduzida pelo Secretariado do ICOM, a atualização incluirá melhorias técnicas, gráficas e de conteúdo, com o objetivo de facilitar o acesso à informação e fortalecer a cooperação multinacional. O relançamento está previsto para 2027

Mais sobre o Observatório: 

Idealizado pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), por meio do Departamento de Proteção do Patrimônio, Observatório Internacional sobre Tráfico Ilícito de Bens Culturais está alinhado à Convenção da UNESCO de 1970, que estabelece medidas para proibir e prevenir a importação, exportação e transferência ilícitas de bens culturais. Trata-se de uma plataforma permanente de cooperação entre organizações internacionais, autoridades, pesquisadores e especialistas dedicados ao combate ao tráfico de bens culturais. Ele tem como objetivo disponibilizar um banco de dados de referência para a rede e público. Saiba mais: obs-traffic.museum

Presidente do ICOM Brasil integra a 1ª Reunião de Especialistas do Observatório Internacional
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