Aconteceu no dia 21 de novembro, o Museu das Amazônias (MAZ), em Belém (PA), o evento “Cultura, Patrimônio e Mudanças Climáticas: um olhar a partir da América Latina”. Em formato híbrido, a programação foi transmitida também pelo Zoom, com tradução simultânea para inglês e espanhol, alcançando profissionais e público em geral.
A manhã começou no auditório do MAZ com a oficina “Planos de Sustentabilidade em Museus”, voltada para profissionais do setor e com o objetivo de apoiar ações de sustentabilidade para museus, incorporando as dimensões da Agenda 2030 com base no “Plano de Ação em Desenvolvimento Sustentável para Museus”, aprovado pelo ICOM Internacional. A atividade foi coordenada por Lucimara Letelier, vice-presidente do Comitê Internacional do ICOM em Desenvolvimento Sustentável e Museus (ICOM SUSTAIN), em parceria com a Secretaria de Cultura do Pará.
O evento foi oficialmente inaugurado no período da tarde e teve como destaque a participação remota do novo presidente do ICOM, Antonio Rodríguez. Em seguida, começou o primeiro painel do dia. Intitulado “Museus: do local ao global”, o painel trouxe como temas centrais como os impactos das mudanças climáticas sobre o patrimônio cultural, o papel da cultura, o desenvolvimento econômico e sustentável, a atuação internacional do ICOM nas agendas de museus e clima, entre outros assuntos.
Durante a sua apresentação, a secretária de Cultura do Pará, Ursula Vidal, pontuou que as mudanças climáticas representam hoje uma ameaça profunda e multifacetada, capaz de afetar tanto as paisagens quanto as memórias coletivas.
“Não estamos apresentando só um alerta em relação aos riscos dos sítios históricos, que podem desaparecer, mas a memória de tradição, de lugar, de história e de pertencimento… Tudo isso compõe essa paisagem urbana e cultural que nos define. Este é um alerta: se não cuidarmos, perderemos as referências do que somos, de quem somos e do porquê somos.” – disse a secretária
Já Lucimara Letelier falou da importância de integrar a cultura às políticas climáticas e ressaltou o papel dos museus nesse processo. Segundo ela, “os museus são parte do problema e da solução, especialmente na construção de narrativas capazes de mudar a visão pública sobre a questão climática.” E acrescenta: “Os ecomuseus, os pontos de memórias, os museus de territórios têm muito a ensinar sobre essa pauta. E, portanto, eles precisam estar dentro do protagonismo de qualquer política climática.”
Também participaram do painel Aline Vieira de Carvalho (ICOMOS Brasil), Helena Pinto Lima (curadora do MAZ), Rachelle Kalee (ICOM), William Gamboa Sierra (ICOM), Gunjan Nanda (We Make Tomorrow / Entertainment + Culture Pavilion). A mediação ficou a cargo de Diego Vaz Bevilaqua (ICOM Brasil).
O segundo painel teve como tema “Desafios a partir da Carta Brasileira do Patrimônio e Mudanças Climáticas” e foi aberto por Diego Bevilaqua, que destacou os amplos processos colaborativos envolvidos na elaboração da Carta e enfatizou a dupla função do documento.
“Ela funciona como um instrumento de advocacy, permitindo cobrar ações dos governos, contribuir para debates como na COP30 e fortalecer a relação entre patrimônio cultural e mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, a Carta também funciona de forma pedagógica dentro do próprio campo, ajudando profissionais e instituições a compreender essas relações e a identificar maneiras de atuação diante dos desafios climáticos.”
As apresentações seguintes abordaram temas centrais sobre cultura, patrimônio e mudanças climáticas, como, por exemplo, os desafios enfrentados por comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas.
Para Denilson Batista, é preciso ter diálogo e escuta para compreender como as comunidades tradicionais operam “Se não dialogamos e não ouvimos como as comunidades operam, perdemos a noção da realidade. Chegamos até aqui, em um encontro mundial, para falar sobre as nossas experiências. Quem sabe vocês também possam chegar até nossas comunidades para conhecer de perto essa realidade?”
Segundo Irleuza Apiaka (Associação Indígena Apiaká IAKUNDA´Y), discutir a questão climática é uma necessidade urgente para seu povo. “Essas mudanças afetam diretamente nossas vidas, impactam nosso território. A gente sente dificuldade nas nossas comunidades indígenas. As mudanças climáticas impactam nosso pescado. O rio seca e a seca é muito constante.” E finaliza com um chamado: “Nos ajude a proteger as nossas vidas, nossas florestas, nossos rios. Vamos fazer com que essa força aqui se intensifique. Que plantemos sementes.”
Também participaram do painel Mauro Garcia Santa Cruz (Climate Heritage Network América Latina e Caribe), Ave Paulus (ICOMOS). Logo após as apresentações, aconteceu um bate-papo com os palestrantes onde o público pôde tirar suas dúvidas e fazer comentários sobre os temas abordados.
O evento é uma realização do ICOM, ICOM Brasil, ICOM Sustain, ICOMOS, ICOMOS Brasil, Climate Heritage Network e Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), em parceria com o Museu das Amazônias — equipamento público do Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM) da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult-PA), com implementação do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) e do Museu Paraense Emílio Goeldi.


